sábado, 24 de outubro de 2009



Sou felicidade, em busca de abrigo
Sou solidão , em busca de compania
Sou um rio, em busca do mar
Sou frio , em busca de aconchego.
Sou poeta , em busca da boêmia
Sou EU , em tantas faces
que me perco ao me encontrar
E nesse encontro comigo mesma
esqueci de me analizar.

Decifra-me ou eu te engulo!

Cristiane Massaki

sexta-feira, 16 de outubro de 2009




Tanto tempo sem poder escrever uma única linha nesse lugarzinho tão meu.
Por isso la vai um texto que eu amei ter lido...Espero que gostem também.



Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.É que as crianças crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas.Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, posteres e agendas coloridas de pilô. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto. No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na montanha terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.


Affonso Romano de Sant'Anna

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Saudade é amor distante!


Saudade é amor distante!

É pensar e não poder tocar.

Saudade de tanta gente que está longe, saudade de tantos momentos que não vão retornar.

Uma fase da vida , uma fruta que está fora de época.

Um amiguinho da infância , uma professora do primário.

Uma companheira da adolescência , um amigo mais velho que tanto te aconselhou nos momentos de dificuldade.

Saudade da casa da nossa mãe , das brigas com nossos irmãos...Hoje em caminhos tão distintos dos nossos.

Saudade da gente mesmo em outro tempo , com fardos mais leves e mentes mais frescas.

Aquela música que ouvíamos dia e noite na rádio.

A bagunça nas excursões da escola.

Os segredos de meninas trocados nos banheiros.

Hoje nos fará falta amanhã.

Amanhã nos fará falta daqui alguns anos ,assim como ontem nos faz falta hoje.

É delicioso sentir saudade e saber que os momentos vividos valeram a pena.

Cada sorriso.

Cada palavra.

Cada lágrima.

Tudo passa e fica na memória , com um sabor distante , um sabor de SAUDADE!

Ansiedade é a palavra do dia!


Filho como vc está sendo esperado.

Desejado.

Amado.

A mãmãe está tão ansiosa com o prenúncio de sua chegada!

É um sentimento tão bom , imaginar seu rostinho , imaginar seu carinho!

De pensar em você , meu coração transborda de amor.

Sinônimo de amor é você.

Sinônimo de entrega é o que sinto quando penso em você.

Que eu consiga te conduzir pelo caminho do bem , seu pai e eu te amamos muito tah!

Vem sem medo , estamos esperando meu amor!


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Dos Filhos

E uma mulher que carregava o filho nos braços disse: “Fala-nos dos filhos.”
E ele disse:
Vossos filhos não são vossos filhos.
São filhos e filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E, embora vivam convosco, a vós não pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Pois eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis faze-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois o arco dos quais vossos filhos, quais setas vivas, são arremessados.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com Sua força para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco, que permanece estável.
Khalil Gibran